Existe a fantasia que relacionamento amoroso (de casal) se tornará satisfatório quando os desentendimentos e os conflitos acabarem. Porém, um relacionamento pode ser sadio e satisfatório ainda que haja desentendimentos. Discordâncias e embates são esperados, comuns, e quando administrados com habilidade, vão reforçar o vínculo do casal, e ajudar no crescimento individual e familiar. Não existe fórmula pronta que garanta uma relação amorosa impecável, pois cada pessoa avalia o que é melhor para si de maneira diferenciada. Compartilhar a vida com outra pessoa requer flexibilidade para as mudanças e tolerância para as frustrações, e nem sempre isso é fácil. Pensando nisso, formulamos algumas dicas que podem te auxiliar nesse caminho!

1. Expressar emoções negativas com tom de confissão
Seu parceiro(a) certamente faz muitas coisas que geram emoções negativas em você, e você pode ainda pensar: “Ele(a) fez isso de propósito”. Na maioria das vezes você estará diante de um belo engano, seu(sua) parceiro(a) não tem bola de cristal nem sabe ler pensamentos. Em geral, os(as) parceiros(as) não escolhem produzir sentimentos negativos deliberadamente (sem motivo algum). Logo é muito importante que você fale dos sentimentos negativos gerados pelas ações dele(a) em tom de confissão. Ficar calada(o) não informa sobre o problema, nem a frase “Cala a boca!!! Você é um(a) grosso(a)” não tem confissão (mas uma ordem e uma acusação). Em geral, a ordem e a acusação geram mais sentimentos negativos no outro e não ajudam a entender o que está acontecendo, acirrando o conflito. Por outro lado, falar (confessar) o que sente diante do que o(a) parceiro(a) fez (ou faz) ajuda a ele entender quais foram os efeitos da atitude dele(a) sob você, descrevendo sobre o que está acontecendo. Você pode ainda dizer o que gostaria que ele(a) fizesse (“Eu gostaria que você falasse baixo”), especialmente se ele te perguntar, mas lembre-se sempre do tom de confissão.

2. Expressar emoções positivas com tom de gratidão e admiração
A falta da bola de cristal também se aplica aqui. Ele(a) precisa saber que também produz sentimentos positivos em você, e quais são os sentimentos que ele está produzindo (alegria, satisfação, tranquilidade, prazer, esperança). Não diga apenas “eu te amo (admiro)” ou “gosto disso”, isto todo mundo faz e inclusive com objetos: “eu amo este copo” ou “gosto muito de água gelada”. Fale como se sente diante do que ele(a) faz com tom de gratidão e admiração. Por exemplo: “eu me sinto amada(o) quando você [me dá atenção]”, “fico feliz quando você [me faz carinho]”. Dessa forma, a comunicação fica mais intima e menos impessoal e você deixa claro para o outro quais as atitudes dele(a) que de fato te fazem se sentir bem.

3. Transparência emocional
Conexões genuínas (de qualquer ordem) demandam sair da zona de conforto (defensiva) e entrar em uma zona de vulnerabilidade, a transparência emocional que nem todos estão dispostos a enfrentar. Para fortalecer o elo que mantém a qualidade do relacionamento entre vocês, é necessário se deixar ser visto sem receios ou constrangimentos. É importante que você fale para seu(sua) parceiro(a) como os eventos que ocorrem na sua vida te deixam emocionalmente. Demonstrar e falar sobre como está se sentindo requer coragem e prática. Ao expor suas emoções, você favorece a identificação e aumenta a intimidade, uma vez que derruba a barreira do julgamento. Quando seu parceiro se expor, lembre-se de acolher esse ato de afeto. Então, ser transparente emocionalmente é muito positivo para o relacionamento, mas, requer que você também acolha e valide as emoções do(a) seu(sua) companheiro(a).

4. Pedir desculpas
Errar é um ato humano comum, agora pedir desculpas é um exercício de virtude! Admitir que “errou” e fazer “o retorno” jamais pode ser considerado como fraqueza, bobagem ou um ato que vai “facilitar para que o outro abuse” no relacionamento. Pedir desculpas significa muito além disso. Significa que você valida o que o outro sente; que você preza e valoriza o relacionamento; que você está inclinada(o) a investir no relacionamento e, ainda, que você tem interesse no amadurecimento da relação! Se pedir desculpas pode ter efeitos tão positivos sob o outro e sob si mesmo então não deveríamos adiar tanto essa decisão, não é mesmo? Por outro lado, pedir desculpas não pode e nem deve ser vulgarizado, tornando-se uma forma fútil de “ganhar” o(a) parceiro(a) e não levando em consideração que após o pedido de perdão é necessário mudança! O pedido de desculpa deve ser feito todas as vezes que você produz emoção negativa no seu parceiro(a). Se ele(a) não diz espontaneamente como se sente, você deve perguntar, havendo emoção negativa, o pedido de desculpa cai bem, preferencialmente em uma frase completa, como “Me desculpa por ter gritado com você”. Ao mesmo tempo, você poderia nos dizer, mas “eu não fiz nada de errado”. O pedido de desculpa que ocorre apenas quando você quebra uma regra ou um acordo está no campo da formalidade. Pedir desculpas apenas quando está “errado” é comunicar para o seu amor, que você tem um relacionamento formal e impessoal com ele(a). Por outro lado, pedir desculpas quando uma emoção negativa é produzida comunica que você se importa com o que ele sente, ainda que você esteja “totalmente certa(o)”. Lembre-se que você também pode pedir para ele(a) para pedir desculpas a você sempre que ele(a) produzir emoções negativas.

5. Respeito
Você vai notar que a medida que você expressa seus sentimentos (positivos e negativos) ele(a) mudará por uma escolha própria. Em geral esta mudança é lenta, mas sólida e duradoura. Pode ser que ele(a) nem perceba que está mudando. Por outro lado, você também notará que não haverá mudanças de alguns comportamentos, e neste caso cabe a você tratar seu amor com respeito e aceitar as diferenças. Perceba que vocês são diferentes, e que isto não é necessariamente ruim, ele(a) tem características diferentes das suas e não defeitos. Aprenda respeitar as diferenças, sem desqualificar as características dele.

6. Autocompaixão
Indulgência, clemência, gentileza, paciência, pegar leve, tolerância, bondade, misericórdia… Não importa o nome, desde que você direcione esses comportamentos para si mesmo, é o que vale. Geralmente as pessoas têm mais facilidade em fazer esse tipo de esforço de tolerância em prol dos(as) parceiros(as). No entanto, ter a compreensão e aceitar que você também faz parte desse percurso, que você é falível (e está permitido ser!), que dá para recomeçar e rever as próprias atitudes, alivia o peso.

7. Invista na individualidade
Existe uma citação que diz algo como “pais felizes, filhos felizes”. Funciona ampliar para “se você está bem, quem te ama fica bem também”. Ou seja, invista em si mesmo, faça as coisas que gosta, aprenda a curtir a sua presença, a ficar em sua própria companhia, cultive sua autonomia, desenvolva o autoconhecimento. Não é saudável ter apenas seu(sua) parceiro(a) como referência. Investir apenas no relacionamento pode sufocar o outro. Conserve e ofereça espaços individuais, momentos de privacidade são necessários para a construção pessoal. Também favorecem a saúde mental, estabelecem tempo para que mudanças mais significativas se concretizem, mudanças que podem privilegiar aos dois em algum período da vida em comum. Se engajar em atividades sem a presença do outro não implica em menos amor ou comprometimento.

8. Escolha confiar no outro
Os seres humanos são naturalmente desconfiados, para não dizer paranoicos. Os pensamentos negativos de que seu(a) parceiro fez algo de “errado” vão surgir continuamente na sua cabeça, sem que você escolha isso. Ao mesmo tempo, é impossível saber cada passo do seu amor. É impossível rastrear cada pensamento, para onde são direcionados os olhares dele(a), não há como saber com toda certeza a natureza de suas ações diárias (trabalho, academia, faculdade, familiares, futebol, etc.). Apenas temos uma ideia, por meio dos relatos. Por outro lado, você escolheu esse homem (ou essa mulher) para dividir a sua vida e para ter projetos em comum, logo, você escolheu também confiar nessa pessoa. Acreditar no outro também é uma escolha pessoal que independe de um eventual “comportamento suspeito” que seu(sua) parceiro(a) apresente. Permanecer insegura(o) com a possibilidade de ser enganada(o) é viver sem paz, se concentrando apenas nos aspectos negativos dos seus pensamentos. Então, parta do princípio que todos são inocentes até que prove o contrário, ou seja, dê crédito ao que o outro diz e faz. Diante de uma situação de dúvida, escolha a opção em que ele(a) tem boas intenções. Sabendo que não temos posse sobre as pessoas, a melhor escolha, então, é desenvolver essa maravilhosa habilidade chamada confiança! Então, que tal tentar abrir mão de todas essas preocupações? Se permita acreditar que: “Se houver algo errado, a vida se encarrega de solucionar”.

9. Empatia e compaixão
É muito fácil aprovar ou desaprovar algum comportamento ou atitude de alguém. Mais que colocar-se no lugar, ser empático é se sentir como o outro e com o outro, e, com isso, abrir perspectivas para compreender as motivações e reações do(a) parceiro(a) diante dos diferentes tipos de situações. Além disso, demonstra que você valida o que o outro sente e isso por si só é extremamente confortante no relacionamento amoroso. Entenda que não existe problema maior ou menor, todos têm sua relevância e devem ser considerados.

Esperamos que esse texto ajude você e seu(sua) parceiro(a) a refletir sobre suas ações no relacionamento e buscar formas mais efetivas e saudáveis de investimento no amor!

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Para entrar em contato com os autores:

Luciana Chequer lumessa@yahoo.com.br
Naiara Roncarati naiararoncarati@gmail.com

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