A depressão é considerada um dos piores problema de saúde global, segundo a OMS. A depressão é a principal causa de afastamento por doença mental no trabalho, representando cerca 13% de todos os afastamentos ocupacionais no mundo. Muitas pessoas ainda têm dificuldade em compreender o que é a depressão e acabam achando que é apenas tristeza ou “frescura”. No diagnóstico de depressão (chama pelos profissionais de Episódio Depressivo ou Transtorno Depressivo Maior) a tristeza (humor deprimido) é apenas um dos sintomas levados em consideração. Como explicado no artigo “A percepção de emoções: o primeiro passo para inteligência emocional”, a tristeza é um sentimento normal e que faz parte da vida das pessoas, todavia a partir do momento que ela se torna constante, e impede (ou atrapalha muito) a execução de atividades do cotidiano, isto pode ser sinal de problema, especialmente quando acompanhada de choro recorrente (ou por qualquer motivo). Com isso, quais seriam outros sinais que podem indicar depressão? Os sinais estão basicamente em três dimensões: sentimento, pensamento e comportamento. No caso, a tristeza está na dimensão do sentimento. Outros sentimentos que podem ser um sinal de depressão são a raiva (ou irritação) e culpa, especialmente quando excessivos e/ou muito frequentes. A perda do prazer em realizar tarefas (que antes eram prazerosas) também pode sinalizar depressão, especialmente quando se torna cada vez mais frequente.
Na dimensão do pensamento, é importante estar atento aos pensamentos negativos, como os relacionados a pessimismo (“Meu futuro é sem esperança”), fracasso (“Sou um completo fracasso”), inutilidade (“Sou inútil”), desvalorização (“Não tenho valor”), incapacidade (“Sou incapaz”), punição (“Estou sendo punido”), autoconfiança (“Não confio em mim mesmo”), e existência (“Gostaria de nunca ter existido”).
Os comportamentos que podem indicar depressão são agitação ou letargia, dificuldade de concentração (desatenção), comer demais ou de menos (alterações no apetite), cansaço constante (ou falta de energia) e dificuldades para tomar decisões. Alterações no sono também são relevantes, como o fato de dormir demais ou de menos, acordar horas mais cedo e ter dificuldade para voltar a dormir.
A depressão é algo sério e não pode ser considerada frescura. Uma pessoa com depressão pode ficar incapaz de trabalhar e até mesmo buscar a própria morte. Com isso, quando você notar alguns dos sinais apresentados em familiares ou amigos, está na hora de buscar ajuda profissional. Não espere que “as coisas” fiquem muito ruins para buscar ajuda, pois poucas orientações no início da doença podem impedir o avanço. Por outro lado, se a depressão já está grave é importante lembrar que tem tratamento, geralmente a combinação do tratamento psicológico com medicamentoso, para esses casos. Alguns dos tratamentos psicológicos para depressão com evidências científicas são a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Terapia Cognitiva (TC), Terapia Racional-Emotiva (TER) e outras, como descrito no artigo “Os melhores tratamentos psicológicos desenvolvidos pela ciência até o momento”. Cada abordagem terapêutica (ACT, TC, TER, etc.) trata de uma forma diferente, sendo isso muito positivo, pois o terapeuta (ou cliente) pode mudar de abordagem quando percebe que o processo de terapêutico não está sendo satisfatório. Em geral, as terapias vão ajudar o cliente a identificar os principais sinais da depressão, a mudar de comportamento mesmo sem motivação ou ânimo, e também a lidar com sentimentos negativos. Os pensamentos negativos também recebem uma atenção especial nos tratamentos citados, como exemplificado nos artigos “O controle de pensamentos negativos” e “As contradições da sociedade moderna que podem te levar à loucura: 2 dicas para lidar bem com elas”. Além disso os clientes são orientados sobre a importância da atividade física e do suporte social nesse processo.
Resumindo, a depressão apresenta sinais relacionados a sentimento, pensamento e comportamento, que podem incapacitar ou matar. Se você se identificou com alguns desses sinais, pode procurar ajuda de um profissional da saúde mental, seja psicólogo e/ou psiquiatra, para fazer uma avaliação. Lembre-se: quanto mais cedo for efetuado o diagnóstico, melhores são as chances de recuperação

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas

Martha Medeiros

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Para entrar em contato com os autores
Camilla Medalane: e-mail:  camillamedalane@gmail.com.br
Rafael Balbi: e-mail contato@consultoriorafaelbalbi.com
Referências
American Psychiatric Association. (2014). DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora.
Santos, E. G., & Siqueira, M. M. (2010). Prevalência dos transtornos mentais na população adulta brasileira: uma revisão sistemática de 1997 a 2009. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 59(3), 238-246

2 comentários em “Depressão: o que é e como ajudar quem tem

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